domingo, 25 de abril de 2010

Conto da imperfeição

Ela estava sentada em um banco de uma praça qualquer. Enfiou a mão na bolsa procurando seu isqueiro e o maço de cigarros. Acendeu-o e estendeu a mão admirando a fumaça subir e rodopiar na sua frente. Deu trago. Inspirou profundamente e soltou a fumaça que logo se dissipou no ar.Gostava de olhar o cigarro queimar.Pensava que deveria parar de fumar, culpava-se menos quando tragava o cigarro lentamente.Olhou ao redor. Pombos, pessoas, cachorros de rua, moradores de rua. Uma igreja. Mulheres entrando na igreja indo jogar suas lamentações para uma estátua de cera. Ela odiava tudo aquilo que estava ao seu redor. Nada encaixava.O pior de tudo é que ela não queria se encaixar em nada daquilo...

É claro que você sabe do que eu estou falando.

Saudações terráqueos. Sorriam por abraçarem toda ignorancia do universo e se resumirem ao um monte de merda. Seu cérebro é uma farsa. Você acha que tem criatividade? O que você me causa é nojo.
É só uma cópia barata de todo o resto das pessoas ao seu redor. Se acha alguém interessante com esse cigarro e um copo de bebida, eu te acho deprimente. Sua vida é uma eterna mentira e suas relações são baseadas em troca de favores. Sexuais ou não.
Você me dá nojo com esse discurso decorado de um livro pré-adolescente. Decadencia.
Tanto potencial jogado fora. Ao invés de tentar ser um xerox mal feito dos outros, tente ao menos investir na sua própria originalidade.
Nada vale um elogio se este não foi direcionado à você.
Aprenda com a vida pequena perdedora. Você me irritou de uma forma extremamente imbecil.
Sinta-se feliz com sua inferioridade.

Beijos, passar bem.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Começo/Fim

Pessoas medíocres com vidas medíocres.
Nunca pensei que eu fosse me tornar uma delas.
Em toda minha vida, esperei fazer alguma coisa que fosse diferente do resto.
Nunca me senti satisfeita por estar apaixonada, por comprar um carro e pagar a conta do mês.
Sempre quis andar fora da linha.
A minha verdade sempre me pareceu tão distante do resto da humanidade.
Eu me achava única.
Pensava ser um ser fora do resto da massa que habita a lata de sardinha.
Estava enganada.
Sou hipócrita como todas elas.
Preocupo-me mais com a minha roupa do que com o meu conteúdo.
Esqueci de descrever minha personalidade.
Escondi-me atrás de roupas, de gestos, de rostos.
Perdi-me em mim mesma.

Fim do mundo

Não consigo mais escrever, sério. Já tentei de tudo, depressão, amor, sindrome do pânico, bebida, carta de suícidio, depoimentos no orkut, bilhetes de geladeira, respostas de perguntas, mensagens de texto, e-mails, spam!
Desisto, jogo tudo pra cima. Perdi a minha capacidade de escrever. Não chamo isso de talento porque nunca soube se escrevia alguma coisa relevante. Perdi o jeito, o tato. Não sei mais iniciar um texto, colocar minhas ideias em meus dedos e deles saírem alguma coisa, como mágica!
Parei de digitar, parei de escrever.

Acho que parei de ser eu mesma.